Férias na Metrópole

Publicado em 24 de setembro de 2026 às 14:56

PRIMEIRA PARTE

O Pacote foi atraído no cais de L. Marques (Maputo). Parecia enorme, tudo branco e enfeitado de pequenas bandeirolas de cores variadas.

Tínhamos acabado de chegar ao local de embarque (eu e a família) onde se recuperaram umas escadas altíssimas, que tiveram de subir até lá acima, onde uns deques enormes percorriam o navio, todo branco, exceto na faixa de cor que rodeava a enorme chaminé.

Era um transporte muito estranho, para mim, pois nunca tinha visto tal meiose transporte, cuja grandiosidade me espantava. As pessoas que todos se enconravam para o embarque, também eram muito diferentes umas das outras, umas muito alegres e outras a chorarem. Que estranho, eu achei que todos os passageiros deviam estar muito satisfeitos por irem viajar até à metrópole e poderem visitar parentes e amigos, mas todos se abraçavam e choravam como nunca mais se nunca se voltassem a ver. 

Também ali se encontraram amigos e primos a despedirem-se dos meus pais.

De repente o navio chegou ao aviso de embarque. Todos se dirigiram para as escadas. Eu, as minhas irmãs, a minha avó, e os meus pais, subimos por todos os acima, a minha avó sem me largar a mão, e pensamos nós todos no 2 de que esse enorme edifício rolante.

Os portais fecharam e então todos começaram a abanar umas bandeirolas triangulares, de vários núcleos e o navio começou a afastar-se de terra ao som de música portuguesa tocada por uma orquestra muito empertigada.

A pouco e pouco todos se espalharam pelos vários deques, e os passageiros dirigiram-se aos seus camarotes.

Entretanto deixaram de ver as pessoas que tinham ficado em terra e deram-se início a uma viagem de 28 dias por mar que acabaria em Lisboa e que durara tanto tempo a ser minuciosamente preparada. Estaria seis meses em Metrópole.

As três crianças ficaram no camarote da avó Delfina que, se foi preparar, bem como os meus pais, para o jantar; nós, as crianças, seriam servidas numa sala preparada para elas, mas eu, já (espigadota), tive de as acompanhar sempre, para poder tomar conta delas.

Nunca percebi porque era que as partidas eram sempre ao final da tarde.