Nos tempos de adolescente, passados naquela belíssima cidade africana, onde nasci e vivi constantemente baralhada com coisas muito simples como: "Onde é a minha Pátria"? ("O livro da primeira classe tinha-me ensinado que a "Pátria" é a terra onde estão enterrados os nossos antepassados ", e eu tinha-os espalhados por vários sítios, Moçambique e a Metrópole ) a vida social apresentava diversas falhas humanas que a formatavam.
Só muitos anos depois ao acompanhar, pela TV, uma novela brasileira baseada na obra de Jorge Amado "Gabriela Cravo E Canela" pode rever-me nessa mesma história, magnificamente contada, que apresentava a vida de uma pequena terra brasileira onde, tudo o que acontecia tinha que levar o aval de umas tantas famílias de coronéis, que punham e despunham da vida dos que nela viviam.
Na minha terra por volta dos anos 50, também algumas famílias dominavam a vida social da cidade, decidiam o que era bom e o que era mau e editavam regras que os ajudavam a sobreviver como elite aceite e reconhecida. Isto não significa que os membros se comportassem melhor ou pior do que os outros cidadãos pertencentes a famílias que não pertenciam ao núcleo social em que se movimentavam.
Um dos chefes de um dos clãs da cidade (se fosse em outra cidade que não uma cidade colonial, nunca poderia ter vindo a sê-lo ) era o Pai da minha amiga Francisca, homem videirinho, fraca figura, funcionário publico por convicção e uma "Linguinha de Prata " reconhecida pela cidade toda.
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