D. Candinha "A Mestra "

D. Candinha 

D. Candinha olhou para fora, através da pequena janela da sua casa ligada á Escola Primária, para a neve a cair e deteve-se, um pouco, pensativa. Ali estava ela sozinha, a começar uma carreira que a levaria até á reforma. Era, a partir de agora, a Regente Escolar da sua aldeia.

Sentia-se feliz porque, ia ser independente, daqui em diante.

Nascida na região do Douro, filha de vinhateiros, tinha sentido a mudança para esta região tão diferente e dura, mas gostava muito de crianças e de ensinar; tudo iria, decerto, correr bem. No entanto sentia um aperto no estomago. Não conhecia ninguém.

Quem a tinha recebido tinha sido o Senhor Prior, que olhara, desde o inicio, com uma certa desconfiança. Era gordito, e não lhe interessava alguém que lhe pudesse fazer frente. D. Candinha não era nada parecida com as suas paroquianas, Senhoras de uma aristocracia rural muito comum, Senhoras que ele bajulava constantemente, para conseguir tudo o que precisava para a sua pequeníssima e pobre paróquia.

D. Candinha era alta, magra, olhos muito azuis e uma expressão calma e doce. Não era católica, mas era cristã, o que lhe iria dificultar um pouco a vida, pois teria, muitas vezes, que disfarçar o que sentia, para poder ser aceite naquela comunidade, tão estranha para si.

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