FREIXO DE NUMÃO - Finalmente
A entrada em Freixo foi uma verdadeira aventura.
A Avó estava nervosa. Á espera de que o que ia ver estivesse de acordo com os sonhos que tinham vívido a vida toda, aparecia-lhe agora uma terra de casas em granito, sem chaminés, onde as ruas da calçada serviam de escoadouro de todos os tipos de dejetos e andavam porcos a passear na rua. Isto em 1950.
Também foi difícil encontrar a casa do Tio Guilherme, o seu irmão mais novo. Dos seus irmãos dezassete, só já estavam vivos os dois mais novos (além do Tio estava ainda viva a Tia Maria que, devido à morte de um filho seu tinha enlouquecido e vivia o tempo todo a correr as ruas com um boneco onde ninguém podia tocar).
Finalmente lá chegamos onde fomos recebidos pelo Tio, a Tia Luiza e o seu filho.
A avó estava com um ar muito triste. Não era o que ela esperava. Mas começou a arrumar as malas, a matar as moscas e a tratar de nós.
O meu pai foi convidado pelo Tio Guilherme para conhecer o Sr.Prior e o médico da aldeia que esperavam por ele para o cumprimentarem. Quando o meu pai perguntou sobre a pobreza que se via nas ruas e sobre como era possível haver gente tão pobre e com um aspeto de doente, o médico disse-lhe que apesar do ar, da água e das culturas ( principalmente da vinha e dos pinheiros, serem uma maravilha) eram quase todos tuberculosos e alcoólicos.
Depois de uma longa conversa, o pai decidiu deixar-me a mim e a avó em Freixo e seguir viagem para Miraz, em Soalhães visitar a família que lá se encontrava, a férias.
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