Krugger Park

Published on April 6, 2026 at 8:02 PM

DEPOIS DO DIA VEM A NOITE 

DEPOIS DA NOITE VEM O DIA 

E DEPOIS DE TER SAUDADES

VEM A SAUDADE DO QUE HAVIA 

                                                                    Fernando Pessoa 

KRUGGER PAR

O Krugger Park é uma reserva natural, junto à fronteira de Moçambique com a África do Sul (perto de Ressano Garcia) mesmo no sul da então Província do Sul do Save. Este rio atravessava-a e era um encanto para os olhos a passagem que do parque se descortinava, com os seus meandros muito bem delineados e as pequenas elevações a perdidas-se ao longe. 

Este parque era conhecido principalmente pela fauna, mas o que mais me deliciava nas vistas que ele fez, foi a quantidade de pássaros, lindíssimos, de núcleos muito fortes, que nos acompanhavam, em cima das árvores, na travessia das picadas muito bem tratadas, só depois de lá ter ido pela primeira vez é que consegui entender como devia ser bom e recompensar ser-se "birdwatcher", ainda mais numa região tão privilegiada como aquela.

No entanto, aos amigos, com quem sempre fui, o que lhes interessava mesmo era ver os animais selvagens a farejarem o carro, a subirem para cima do tejadilho ou a fazerem-nos estar, horas e horas sem fim, parados, à espera que se dignassem libertar o caminho para podermos passar.

Já se tinha dado a independência de Moçambique quando lá fui pela última vez. Na altura não sabia mesmo se poderia, mais alguma vez lá voltar, até porque os meus amigos já estavam de partida para Londres e para a Alemanha, onde tinham uma família, uma vez que a sua estadia, em Moçambique, era apenas para o tempo de um contrato de trabalho.

No entanto seguimos a mesma para esta última visita, não tentando pensar no futuro e decidimos gozar os três dias do que dispúnhamos.

Mas uma vez nos conectamos no motel de rondáveis. O único que existia, e nos juntamos ao grupo de "Afrikanders" que ali se encontravam a relatar, alguns deles já nossos conhecidos. Entre eles alguns casais com filhos pequenos, a ensiná-los a gostar desta terra que era a única que conheciam (de direito ou não).

Na verdade conversando à volta de uma fogueira, ao ar livre, onde nós nos reunimos à volta de um bom café, já depois do jantar, e o olhar para uma profusão de astros suspensos num céu maravilhosamente negro, como só aquelas paragens existem, falávamos dos nossos países e do que nos esperava.

 

 

 

 

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